Grande parte da desconfiança que existe em torno do Feng Shui vem de quem apresenta o tema sem nenhuma base técnica, só com linguagem esotérica e promessas soltas. Essa desconfiança tem fundamento: quando um assunto complexo é reduzido a frases de efeito, fica difícil separar o que é observação séria do que é encenação. A formação de quem está por trás de um método muda essa equação, e é isso que aparece na conversa entre a professora Lúcia Helena Galvão e o arquiteto Eduardo Rosa.
Uma formação dupla, pouco comum
Eduardo Rosa é arquiteto e urbanista, formado para ler edifícios, plantas e cidades com critério técnico. Ao mesmo tempo, ensina filosofia oriental há mais de trinta anos pela Nova Acrópole (organização internacional de estudos filosóficos). Essa combinação não é comum: a maioria dos profissionais que trabalham com Feng Shui vem de um caminho ou de outro, com formação técnica em arquitetura sem aprofundamento filosófico, ou com estudo filosófico sem instrumental técnico para ler um projeto arquitetônico. Reunir os dois exige décadas de dedicação a cada frente separadamente antes de conseguir cruzá-las com consistência.
Por que essa combinação importa na prática
Um profissional sem formação técnica em arquitetura tende a propor ajustes simbólicos sem entender as implicações estruturais e funcionais do espaço. Um profissional sem base filosófica tende a tratar o Feng Shui como estética, perdendo o raciocínio original por trás de cada escola. A leitura de Eduardo Rosa cruza as duas coisas: o rigor de quem sabe ler uma planta e o repertório de quem estuda pensamento oriental há décadas. É esse cruzamento que permite explicar o significado original dos oito trigramas do I Ching (sistema de pensamento chinês que serve de base para o bagua) em vez de repetir a versão simplificada que virou senso comum.
A entrevista completa com a professora Lúcia Helena Galvão aprofunda essa trajetória, e vale assistir para conhecer o caminho que levou Eduardo Rosa a unir arquitetura e filosofia. Assistir esse trecho
Conhecer a trajetória por trás de um método ajuda a avaliar melhor qualquer recomendação que ele produza. Quando se sabe que a leitura de um ambiente parte de alguém com formação técnica em arquitetura e décadas de estudo filosófico, fica mais fácil diferenciar essa abordagem de conteúdos superficiais que circulam sob o mesmo nome.
Essa entrevista também mostra como duas pessoas com décadas de estudo em áreas próximas, mas não idênticas, dialogam sobre um mesmo tema sem perder profundidade. É um contraponto direto à ideia de que Feng Shui e filosofia oriental são assuntos superficiais.